Águia de Bonelli - Aquila fasciata
(Hieraaetus fasciatus Viellot, 1822)
Trata-se de uma águia de média dimensão com uma envergadura que varia entre 150cm e 180cm. Os indivíduos adultos desta espécie apresentam uma plumagem de tonalidade castanho-escuro na parte superior com uma característica mancha branca, facilmente visível, na zona superior do dorso. A face ventral do corpo apresenta uma tonalidade esbranquiçada, pedrez, enquanto que as asas e cauda são de tons escuros sendo visível uma barra negra na parte terminal da cauda.
Esta espécie pode ser observada em diversos países da zona mediterrânica como Portugal, Espanha, França ou Itália embora também esteja presente em alguns países asiáticos e africanos. Trata-se de uma das espécies mais ameaçadas a nível europeu onde apresenta o estatuto “Em Perigo” e se encontra protegida ao abrigo da Directiva Aves da União Europeia. Em Portugal é classificada com o estatuto “Rara”.
Em Portugal a população nidificante estima-se em cerca de 100 casais reprodutores e os principais núcleos encontram-se nas regiões do Sudoeste Algarvio e Nordeste Transmontano. Núcleos mais reduzidos encontram-se também na região da Beira Baixa e Alentejo. As populações do Nordeste e interior Centro do país têm apresentado, na última década, uma acentuada diminuição em número e taxas de reprodução muito baixas.
Esta espécie nidifica normalmente em escarpas em zonas de pouco humanizadas e tranquilas de baixa ou media montanha em ecossistemas tipicamente mediterrânicos. No Norte e Centro de Portugal encontra-se quase exclusivamente associada aos vales fluviais dos principais rios com margens escarpadas. No Sul do país, nidifica quase sempre em árvores de grandes dimensões situadas nos pequenos vales das Serras Algarvias ou mesmo na Estepe Alentejana.
A Águia de Bonelli alimenta-se, principalmente, de Coelho-bravo Oryctolagus cuniculus, Perdiz-vermelha Alectoris rufa e Pombos Columba sp. Devido à importância que os pombos podem assumir na dieta desta espécie a construção e a recuperação de pombais tem sido uma das mais importantes, medidas adoptadas no Nordeste Transmontano, tendo em vista a estabilização ou aumento das populações reprodutoras e melhoria das taxas de reprodução desta espécie de ave de rapina.
As principais ameaças que enfrenta esta espécie são a diminuição das espécies presa (principalmente o Coelho bravo), a colisão e electrocussão em linhas eléctricas, a perseguição humana e o abandono de diversas práticas agro-pecuárias como é o caso do abandono dos pombais tradicionais do Nordeste Transmontano.
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