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POMBAIS TRADICIONAIS


Futuro

Mais recentemente tem havido uma maior preocupação na manutenção e povoamento, que resulta de um certo retorno à terra por parte de reformados e os denominados “neo-rurais”. Por outro lado o impacte da caça tem vindo a diminuir à medida que se implementaram processos de ordenamento cinegético, e também por uma sensibilização dos caçadores. Refira-se que existem instrumentos legais que protegem estas aves e os pombais, nomeadamente a Portaria n.º 736/2001 de 17 de Junho, Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas estabelece que em grande parte do território nacional o Pombo-da-rocha não pode ser caçado, e a lei geral da caça define uma circulo de 250 m raio em redor dos pombais como área de não caça (que ninguém cumpre!!!). Por sua vez as pilhagens são agora esporádicas dada a desertificação de jovens nas aldeias, o nível e vida aumentou a e cada vez há menos tendência para as celebres petiscadas com borrachos.

Estes sinais e o facto de na sociedade portuguesa estar continuamente a crescer um sentimento de valorização estética e a de vontade de preservar certos ícones do mundo rural, não esqueçamos as suas fortes raízes rurais, poderão apontar para que o ponto de viragem na conservação dos pombais esteja a chegar. Lembremo-nos que as diferentes valências que os pombais apresentam em termos paisagísticos, arquitectónicos, ecológicos, agrícolas, e socio-económicos, lhe conferem uma forte apetência para a revitalização por parte de distintos agentes interessados, nomeadamente organismos públicos e privados. Por um lado na vertente de preservação da herança cultural, surgem com mais interesse o estudo, a preservação e a divulgação dos aspectos arquitectónicos e paisagísticos, incluindo a musealização de alguns dos núcleos mais relevantes e organização de visitas para a população escolar. Por outro através do usufruto socio-económico das potencialidades turísticas e produtivas do pombal. Nessa perspectiva o turismo assume excelentes oportunidades pois os pombais são sem sombra de dúvida uma imagem de marca da região nordestina. Deste modo existe uma carência óbvia no estabelecimento de rotas de pombais ou percursos interpretativos, devidamente preparadas para atrair, receber e informar os turistas que rumam a estas paragens. A realização de eventos gastronómicos e valorização da restauração tradicional, a própria reconversão de pombais em unidades de Turismo em Espaço Rural, são oportunidades a explorar. Por último o pombinho, adubo orgânico com reconhecidas propriedades, poderá ser certificado e inserido em redes europeias de agricultura biológica. Dada a escassa quantidade produzida por pombal talvez a chave para o lançamento e viabilização deste comércio esteja no associativismo.

Em suma os desafios da modernidade parecem ser promissores para todo aqueles que acreditam no mundo rural e querem continuar a ver estas discretas sentinelas dos nossos campos como que guardando o segredo da sustentabilidade que outrora os nossos antepassados sabiamente conseguiram alcançar.

 

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